Vitimização Policial | "A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original." (Einstein).

Archive for setembro 2009

“David Bayley, em seu livro Padrões de Policiamento1, busca analisar as relações entre a polícia e sociedade na história dos homens. A questão fundamental se refere à forma como a polícia afeta a sociedade, e vice-versa. O autor considera que a polícia não é uma invenção moderna. Ao contrário, a maioria dos países, nos mais variados momentos históricos, têm encontrado maneiras de manter a ordem pública e garantir as leis, utilizando a força de trabalho de policiais pagos com dinheiro público. ”

Leia a íntegra deste excelente artigo de Iselda Corrêa Ribeiro, Doutora em Sociologia, no link ARTIGOS.

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Dois policiais militares, que faziam segurança do presidente da Cedae, Wagner Victer, foram mortos na noite desta terça-feira, no Engenho de Dentro, Zona Norte. Os sargentos João Rodrigues Russo Neto, 55 anos, e José Roberto Santos de Oliveira, 52, foram baleados na esquina das ruas São Braz e Conselheiro Agostinho. Segundo testemunhas, o crime foi praticado por quatro homens em um Gol prata.

O crime ocorreu por volta das 22h. Os policiais estavam em um Toyota Corolla preto e haviam deixado o presidente da Cedae na casa dele. Segundo testemunhas, os assaltantes impediram a passagem dos policiais, desceram do carro e efetuaram os disparos.

De acordo com testemunhas, os policiais tentaram reagir, mas foram baleados. Um deles foi atingido ao lado do veículo, e o outro na calçada. O carro, blindado, não chegou a ser perfurado. Os sargentos foram socorridos por bombeiros e levados para o Hospital Salgado Filho, no Méier, mas não resistiram aos ferimentos.

Após os disparos, os assaltantes fugiram. Eles abandonaram o Gol prata na esquina das ruas Vinte e Quatro de Maio com Marechal Bittencourt, no Riachuelo. Segundo a polícia, as armas dos militares foram levadas pelos criminosos.

O delegado adjunto da 25ª DP (Rocha), central de flagrantes, Franco Albano, disse que o crime foi praticado por uma quadrilha especializada em roubo de carros na região.

- Os bandidos roubam o veículo e usam o carro para praticar outro assalto. Os criminosos podem roubar de cinco a seis veículos por noite – explicou.

Franco Albano não acredita que os policiais tenham sido vítima de emboscada. As armas dos militares não foram encontradas.

- Não há indício de que o crime tenha sido encomendado. Foi uma infeliz coincidência – afirmou.

Segundo o delegado, o crime foi registrado como latrocínio duplo consumado – apesar do carro não ter sido roubado, as vítimas foram mortas, o que caracteriza o latrocínio. O caso será investigado por policiais da 26ª DP (Todos os Santos).

De acordo com a assessoria de imprensa da Cedae, os policiais trabalhavam com Wagner Victer há dez anos.

Artigo publicado no O Globo on-line, em 16/09/2009.

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Pesquisa inédita realizada a pedido do Ministério da Justiça (MJ) deu voz aos policiais brasileiros e encontrou altos índices de insatisfação com o modelo de gestão da segurança nacional, além de números que revelam condições de trabalho preocupantes. Foram ouvidos 64.130 homens das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, da Guarda Civil e agentes do sistema penitenciário.

Um em cada cinco afirmou já ter sido torturado em serviço e mais da metade (53,9%) disse ter sofrido humilhações de superiores. Uma parcela ainda maior, 72,2%, reconheceu que há mais rigor com as questões internas – como exigir botas perfeitamente engraxadas – do que com fatores que afetam, de fato, a segurança pública.

O estudo entrevistou os participantes com a aplicação de questionários virtuais entre abril e maio. Os pesquisadores, ligados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, identificaram que 69,8% de cabos, praças, sargentos, delegados, agentes e oficiais querem mudanças no modelo institucional e, na avaliação dos autores, a origem das reivindicações está atrelada também à vitimização da profissão, mapeada de forma pioneira na enquete.

Um dos dados encontrados é que 20,5% sofreram tortura. Apesar do questionamento sobre a utilização dessa prática não ter contemplado só agressão física mas também tortura psicológica, a pesquisa ressalta que não pode ser desconsiderado que a violência é ainda um “instrumento pedagógico” nas instituições policiais. Os pesquisadores ressaltaram que “o sofrimento mental pode ter inflacionado o porcentual de respostas afirmativas, no entanto, essa teoria é enfraquecida porque no mesmo questionário foi abordado quantos deles sofreram humilhação”, o que seria só assédio verbal. Nesse caso, o índice encontrado foi muito maior: 53%.

Ponto de partida

Regina Mikki, diretora da Secretaria Nacional de Segurança Pública, ligada ao MJ, disse os dados encontrados “servirão de ponto de partida para a criação de grupos de trabalho para aperfeiçoar a condição de trabalho das polícias”. O secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, acredita que os indicadores servem para sustentar o debate prático, e não só acadêmico, da necessidade de mudança.

Fonte: O Estado de S. Paulo.

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  • - Atualizado: 01/12/2009
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